
Opinião: mesmo com todos os problemas fora de campo, o grande espetáculo do futebol vai começar
E finalmente ela chegou. Depois de 64 anos, o Brasil recebe mais uma Copa do Mundo. Em meio a polêmicas, erros, atrasos, mas ela está aí. Mas, para quem ama futebol, não poderia ser melhor: as maiores seleções no quintal de casa, com craques que nunca pisariam aqui se não fosse a Copa.
Isso me faz lembrar meu falecido avô, que sempre me dizia que fora a todos os jogos de 1950, menos na final – o que me valeu muitas brincadeiras com ele ao longo dos anos.
Mas o caminho de 2007 até aqui foi tortuoso. Difícil. Da declaração do ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva, de que não haveria dinheiro público nos estádios a serem construídos, até a do ex-presidente Lula de que "metrô dentro do estádio seria 'babaquice'", o país conviveu com notícias ruins diárias. Muito pouco do que foi prometido foi cumprido. Justificou-se os atrasos com frases como "no Brasil as coisas são assim, feitas na última hora". Como se a Copa não fosse uma oportunidade única para mostrarmos ao mundo que, não, o Brasil não é o país do jeitinho.
O que dizer dos mais de 20 bilhões de reais gastos nas obras? Pouca transparência, pouquíssimas explicações claras sobre o que realmente aconteceu. Resta-nos imaginar então o porquê de tanto dinheiro gasto em estádios. Alguns em lugares onde sequer se disputam campeonatos com relevância e que, segundo alguns governadores e prefeitos, servirão para "shows e outras atividades". Bom, eu sempre achei que estádio de futebol deveria servir primeiramente para jogos de futebol. A oposição nada fez, claramente porque muitas dessas cidades tem como comandantes seus filiados.

A coisa foi caminhando, a população tardiamente se rebelou contra o que aconteceu, excessos foram cometidos, quase nada foi conseguido.
Houve até mudanças de time no meio do caminho, como Ronaldo, que começou dizendo que "não se faz Copa com hospitais" e terminou apoiando o principal adversário de Dilma.
Concordo com Romário, perdemos a Copa fora de campo. Deveríamos ter exigido dos nossos comandantes o compromisso com o que disseram em 2007. Deixamos passar. Fomos para as ruas muito tarde. O nosso desafio agora é fazer deste Mundial uma festa.
Então, que façamos destes 31 dias, dias de alegria. Da celebração do maior esporte deste planeta. E não importa que você, mesmo sendo brasileiro, torça pra Espanha, Itália, Alemanha ou até mesmo, Argentina. O que importa é que tenhamos um mês de belos jogos, muitos gols, ídolos, craques, heróis e - como sempre - vilões. É disso que é feito o futebol.
E se você está - com toda razão - indignado com os rumos que essa Copa teve até aqui, não precisa torcer contra. Para que dê tudo errado. O que ganharemos com isso? Já mostramos ao mundo e tivemos muitos problemas nesse tempo. É hora de curtir a maior festa do futebol. Com alegria, paz e tranquilidade. Então, dê seu recado em outubro nas urnas. Como todo país democrático deve fazer.
Voltando ao futebol, será esta Copa um acerto de contas com 1950? Felipão garante que não. E não devemos mesmo encarar assim. Também não precisamos fazer a - segundo a presidente Dilma - a "Copa das Copas". Que façamos pelo menos uma grande festa. Não precisamos ser os melhores, precisamos ser corretos, fazendo uma bela competição. Não precisamos mostrar nada ao mundo. Já "queimamos" nosso filme com os problemas. Que realizemos a Copa. Que deixemos quem deve falar por ela, onde interessa, em campo. Messi, Cristiano Ronaldo, Schweinsteiger, Iniesta, Neymar.
Afinal, a Copa do Mundo não é da presidenta Dilma, do PT, ou sequer do Brasil. A Copa do Mundo é do futebol.
PS: Voltando ao meu avô, queria muito que ele estivesse agora vendo isso tudo. Certamente, passaria pela cabeça dele o filme de 1950.

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