quinta-feira, 12 de junho de 2014

BRA-Santos Dumont I: muito além de um simples chute

BRA-Santos Dumont I: muito além de um simples chute

Saiba um pouco mais sobre o exoesqueleto que vai ajudar um paraplégico a dar o pontapé inicial da Copa do Mundo.

O pontapé inicial da Copa de 2014 promete ser o ápice da cerimônia de abertura do evento. Graças a um exoesqueleto que responde a sinais cerebrais, o mundo inteiro poderá ver um paraplégico chutando uma bola. Um belo feito da ciência, em uma iniciativa – criticada por alguns, exaltada por outros - liderada pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
Batizado como “Andar de Novo”, o projeto é um consórcio formado por centenas de pessoas de universidades e institutos de pesquisa em todo o planeta. No Brasil, é liderado pelo IINN-ELS (Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra). O objetivo é desenvolver uma tecnologia de interface cérebro-máquina que permita pessoas com mobilidade restringida voltarem a se locomover usando a mente para controlar um equipamento externo.
Para ajudar no desenvolvimento dos trabalhos, o Governo Federal apoiou a tentativa por meio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) com R$ 33 milhões. A AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) também se fez presente. A demonstração pública, no estádio do Corinthians, é apenas o início do trabalho, segundo os envolvidos. Nos próximos meses, artigos científicos sobre a realização serão divulgados.
Entenda o funcionamento do exoesqueleto

 Miguel Nicolelis ao lado do exoesqueleto BRA-Santos Dumont I

 O nome BRA-Santos Dumont I é uma clara referência ao aviador brasileiro, de quem Nicolelis é profundo admirador. Com testes concluídos no último dia 28 de maio, o exoesqueleto realizou movimentos naturais e fluidos, dando aos pacientes que testaram a máquina uma sensação mais próxima de andar com as próprias pernas. O aparato robótico é fruto de anos de trabalho de cientistas e engenheiros, em pesquisas que começaram em 1999.
Feita de alumínio e outras ligas de metais leves, o BRA-Santos Dumont I pesa cerca de 70 quilos e funciona como um controle compartilhado, no qual o cérebro gera mensagens que expressam o desejo voluntário de ação da pessoa, como “eu quero andar”, “quero parar”, “quero chutar a bola”. Tais comandos mentais interagem com os controles das articulações do exoesqueleto, tornando possível os movimentos. Para evitar quedas, a máquina é equipada com vários giroscópios.
Para tornar a caminhada o mais realista possível para o paciente, é preciso que este tenha restabelecida a sensação tátil nos membros paralisados. Pensando nisso, uma tecnologia de feedback – mais conhecida como ‘pele artificial’ – foi desenvolvida para ser peça fundamental no reestabelecimento do tato. E também para devolver a capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo dos membros inferiores dos pacientes.
Esta pele artificial é formada por placas flexíveis de circuitos integrados – cada uma delas contendo sensores de temperatura, pressão e velocidade. Aplicada sob os pés, ao andar com o exoesqueleto o paciente recebe estímulos táteis que são enviados para uma região da parte superior do corpo (como os braços) a cada pisada. Através desta transmissão, o usuário reestabelece, de certa maneira, a sensação de andar. Uma camisa tornará possível o recebimento de tais informações táteis pelos braços. Até o dia 20 de maio deste ano, os pacientes que testaram

As polêmicas envolvendo o projeto
Toda história tem um lado, e isso não é diferente em relação ao BRA-Santos Dumont I. Muitas também são as críticas à iniciativa e à quantidade de dinheiro investida. O tema é polêmico, principalmente quando abordado por cientistas e pelos deficientes físicos. Estes questionam de que maneira a ‘armadura’ seria usada no dia-a-dia. O quão acessível ela seria.
Pedidos de que os valores investidos fossem redirecionados para pesquisas que pudessem, diretamente, ajudar na cura da lesão medular foram sugeridos. Os pontos favoráveis abordados pelos deficientes geralmente são a possibilidade de aumento da autoestima para alguns, além do fato de que qualquer avanço da ciência deve ser comemorado, na opinião de outros.

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