terça-feira, 10 de junho de 2014

Contra vândalos, comércio de Belo Horizonte entra em clima de guerra para a Copa; VEJA

Avenida Antônio Carlos, Belo Horizonte

Faltando apenas dois dias para a abertura da Copa do Mundo, quem passa pela avenida Antônio Carlos, em Belo Horizonte, região da Pampulha, pode não reconhecer o local. Depois de serem destruídas por vândalos durante a Copa das Confederações, as lojas decidiram se proteger para evitar que as cenas de terror se repitam neste ano. Com aço, madeira e contêineres, bancos, concessionárias e postos de gasolinas se "fantasiam" para o Mundial.

Em 2013, a violência de alguns manifestantes causou um prejuízo calculado em mais de R$ 70 milhões, segundo a Federação do Comércio da cidade.
"Estamos muito tensos. O que aconteceu no ano passado foi muito traumatizante. Horrível. Decidimos colocar essa proteção com aço, para impedir que os vândalos façam alguma coisa dessa vez. A tensão é muito grande, a cada dia que vai ficando mais perto de um jogo. O prejuízo foi grande para todo mundo", afirmou Edy Pinheiro, vendedor da Chevrolet, na Antônio Carlos.
"Foi muita destruição. Resolvemos nos prevenir este ano. Estamos conversando muito entre todas as concessionárias e outros estabelecimentos para achar a melhor forma de proteção. Escolhemos cobrir com aço, mas ainda estamos um pouco receosos pela escolha, se vai ser suficiente para aguentar. O clima é de preocupação, claro. Tinha funcionário aqui no ano passado, durante toda a destruição", completou Danielle Tostes, gerente da NIssan.
A Kia, uma das revendedoras mais atingidas no ano passado, decidiu colocar contêineres para cobrir a fachada. Sem funcionar desde junho do ano passado, depois de um prejuízo estimado em R$ 7 milhões, com carros queimados e vidros quebrados, a expectativa dos donos do local é de voltar a ativa com uma outra marca de carros, mas só depois da Copa.
"Nas reuniões, eles já falaram que não voltam antes. Vão voltar depois da Copa apenas, mas não vai ser mais Kia. Eles estão mais protegidos, não tem como passar por contêineres. Foi a mais atingida no ano passado, com toda a certeza", lembrou Edy. 
Enquanto alguns se protegem demais, outros tem de menos. As estações da BRT, novo transporte da capital mineira, na avenida Antônio Carlos, estão expostas aos vândalos, com vidros em suas entradas. Quem trabalha por ali também está com medo. 
"Não tenho orientação nenhuma, estou perdido. Aqui não vão cobrir, mas estou preparado para correr. Se eu tiver notícias de que as manifestações estão vindo para cá, eu corro na mesma hora", afirmou Carlos Alberto de Mattos, funcionário da estação Mineirão.
Bancos e outros comércios também resolveram se prevenir. O Bradesco, por exemplo, é quase impossível de ser percebido, com a cobertura de aço que terminou de ser feita nesta segunda-feira à tarde. 
Até mesmo postos de gasolinas estão protegidos, até demais. Um deles, por exemplo, resolveu proteger até mesmo as bombas, mas com madeira, o que pode ser ainda mais perigoso por ser inflamável.
"O Corpo de Bombeiros veio aqui para saber se a gente está consciente do que estamos fazendo. Mas está tudo dentro da legalidade, nada errado. Vamos ter seguranças aqui dentro também, para ajudarem caso seja necessário", afirmou o gerente, que não quis se identificar.
Depois de algumas reuniões, as lojas da avenida Antônio Carlos decidiram que não vão abrir durante os jogos na cidade e que vão funcionar meio período nas partidas do Brasil.
Avenida Antônio Carlos, Belo Horizonte
Banco Bradesco deixou apenas uma portinha para clientes
Avenida Antônio Carlos, Belo Horizonte
A Kia colocou contêineres para se proteger
Avenida Antônio Carlos, Belo Horizonte
Posto na avenida Antônio Carlos está cobrindo até a bomba de gasolina, mas com madeira

Avenida Antônio Carlos, Belo Horizonte
Posto na avenida Antônio Carlos, Belo Horizonte


Avenida Antônio Carlos, Belo Horizonte
ESTAÇÃO DA BRT, SEM NENHUMA PROTEÇÃO, NA AVENIDA ANTÔNIO CARLOS

Avenida Antônio Carlos, Belo Horizonte
Concessionária está terminando de colocar a pronteção antivândalos

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