sábado, 14 de junho de 2014

OPINIÃO: Robben e Van Persie vingam a derrota da Holanda na final de 2010

Atacantes marcaram dois gols cada em vitória de 5 a 1 sobre a Espanha

Atuais campeões do mundo, espanhóis sofrem goleada para rivais europeus e ligam alerta vermelho. No outro jogo da rodada, o Chile passou trabalho para vencer a Austrália.


Louis van Gaal, treinador da seleção da Holanda, traduziu o sentimento dos torcedores após a goleada de 5 a 1 sobre a Espanha: "Ninguém teria sonhado isso". Nem o mais otimista dos holandeses teria planejado vingança melhor para a derrota na final da Copa de 2010 do que golear a atual campeã na estreia.
No dia 11 de julho de 2010, na África do Sul, a Espanha conquistava seu primeiro título mundial. Iniesta marcaria o gol na prorrogação e coroaria um estilo de jogo e uma geração, mas também seria o responsável pela terceira frustração de toda uma nação, que tem o vice-campeonato em Mundiais entalado na garganta. Perdeu na final também em 1974 e 1978.
O gosto amargo da derrota frustrou alguns dos jogadores que estavam em campo naquela partida. Quatro anos atrás, a dupla Robin Van Persie e Arjen Robben já formava o ataque titular da "Laranja Mecânica" e desta vez, com dois gols cada, eles foram os principais responsáveis pela humilhante derrota imposta ao time de Vicente Del Bosque.
O "Carrossel Holandês", como também era chamado o time comandado pelo técnico Rinus Michels, que na Copa de 1974, também ficou no "quase", perdendo para a Alemanha Ocidental, mas impressionando o mundo com jogadores que não mantinham posições fixas e circulavam pelo campo o tempo todo, buscando sempre o gol.
Nesta sexta-feira, na Arena Fonte Nova, em Salvador, no segundo dia de Copa, foi o que o time holandês, de certa forma, fez. Com uma tática aparentemente defensiva, um 5-3-2, o técnico holandês deu uma aula de futebol e ofensividade ao selecionado espanhol. Robben, dias antes, já havia previsto que essa era a melhor forma de superar os rivais europeus.
Van Persie, o outro destaque do dia, poderia ter dito que a vingança é um prato que se come frio, mas se limitou à emoção do momento e tirou onda com os espanhóis na coletiva após o jogo: "No final, ganhamos de 5, mas poderia ter sido 6, 7, 8...".
Vingança alcançada, classificação parcialmente encaminhada e principalmente, alma lavada. A Holanda larga na frente no difícil Grupo B, com três pontos e saldo de gols elevado, o que pode definir a vaga à fase eliminatória. Na próxima rodada, no Estádio Beira-Rio, enfrenta a Austrália, que perdeu para o Chile, por 3 a 1, mas não foi o saco de pancadas que se esperava.
O Chile de Jorge Sampaoli, com Eduardo Vargas, Jorge Valdivia e Charles Aránguiz, jogadores conhecidos dos brasileiros, entre os titulares, além de Alexis Sánchez e Arturo Vidal, do Barcelona e da Juventus, respectivamente, tinha tudo para golear os australianos.
Dois gols em menos de 15 minutos davam a sensação de que o jogo seria mais um treinamento de ataque contra defesa do que qualquer outra coisa. O torcedor casual, que assistia à partida, pode até ter desligado a televisão após o segundo gol, marcado pelo chileno Valdivia, mas se o fez, perdeu a reação adversária.
Tim Cahill, o melhor jogador australiano, descontou vinte minutos depois, de cabeça, e colocou fogo no jogo. O Chile não esperava, mas foi pressionado pelos Socceroos, comandados pelo próprio atacante do New York Red Bulls e por Mark Bresciano, que chegou a empatar, mas em lance impedido. No segundo tempo, mesmo sem a maior posse de bola, criaram boas chances e tiveram também um pênalti não marcado.
Jean Beausejour marcou no último minuto de jogo e garantiu a vitória chilena, mas a Austrália mostrou que não veio ao Brasil a passeio e pode, pelo menos, dar trabalho aos adversários. O Chile enfrenta a Espanha, na quarta-feira que vem, no Maracanã, em um duelo que, para Iker Casillas, capitão e goleiro da Fúria, "é a nossa própria final".

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