Feriado em São Paulo, a cidade mais rica da América Latina.
É muito simbólico tudo parado.
Para disfarçar o caos no trânsito paulista.
Por falta de obras prometidas para a Copa.
Será assim onde o Brasil jogar, feriado.
Sempre para enganar o turista, o jornalista estrangeiro.
Dar a falsa sensação de ruas tranquilas, organizadas.
Começa às 17 horas o maior evento da história deste país.
A Copa do Mundo de 2014.
Nunca o Brasil esteve tão no centro do planeta.
Gastou R$ 30 bilhões para construir 12 estádios.
Reformar alguns aeroportos e fazer poucas obras de mobilidade.
O legado será menos da metade do que prometido.
Mas agora não há como reclamar, criticar.
Aliás, as reclamações estarão vigiadas, controladas.
Gastando mais de R$ 2 bilhões com a segurança, envolvendo 12 mil homens...
A liberação ao MSTS para o plano Minha Casa, Minha Vida...
A pressão sobre os metroviários pelo governo paulista.
E o medo das manifestações contra a Copa foi controlado.
Afinal, só hoje mais de um bilhão de pessoas deve acompanhar a abertura.
Durante toda a Copa estão previstos quase três bilhões e meio de espectadores.
Nunca nada o que aconteceu no Brasil foi acompanhado tão de perto.
Nem se compara à Eco-92, os Jogos Pan-Americanos de 2007 e a Rio+20 juntos.
Quanto mais à Copa do Mundo de 1950.
Competição precária, primeira disputada logo após a Segunda Guerra Mundial.
Disputada com apenas 16 seleções, hoje são 32.
Há muito o que se contestar.
Principalmente por uma competição que o Brasil assegurou desde 2007.
Eram sete anos para trabalhar de verdade.
Tempo suficiente para tudo o que foi prometido ser feito.
Mas por má fé de alguns e irresponsabilidade de outros tudo foi adiado.
E o país se mobilizou de verdade para a Copa há cerca de dois anos.
Com o governo federal não criando um órgão fiscalizador das obras.
Cada estado fez o que quis e da maneira que bem entendeu.
Não é de surpreender o atraso e o superfaturamento.
E o lamentável gasto de dinheiro público.
São mais de R$ 23 milhões dos cofres do governo.
Dinheiro da população, do contribuinte.
Uma violência ao analisar as promessas.
Quando a Copa foi confirmada no Brasil os políticos juraram.
Todo o dinheiro viria da iniciativa privada.
Não veio porque não houve o menor planejamento.
Foi muito mais fácil tirar dos cofres públicos.
A evolução da infraestrutura da competição foi vergonhosa.
Ainda ontem no Itaquerão, operários soldavam pontos do estádio.
Era possível ver trabalhadores de noite nas arquibancadas provisórias.
Um absurdo.
O estádio da abertura nunca foi testado com a totalidade de público.
É inacreditável.
A capacidade encolheu.
Passou de 68 mil divulgados por anos para apenas 61 mil.
A informação foi dada há menos de uma semana.
A explicação é que haveria milhares de pontos cegos.
O Itaquerão serve bem de exemplo do improviso.
E do uso do dinheiro público.
Seu custo é de R$ 1,3 bilhão.
Mais de R$ 800 milhões caberão ao Corinthians pagar.
Em condições especiais por causa da Copa.
Terá um desconto de R$ 500 milhões.
R$ 420 milhões de incentivo fiscal da Prefeitura de São Paulo.
E ganhou R$ 80 milhões do governo estadual.
Ou seja, meio bilhão dos cofres públicos.
Para um estádio que pertence a um clube particular.
Não importa que é o Corinthians.
Fosse Palmeiras, Santos, São Paulo...
É inaceitável essa ajuda.
Mas agora é irreversível.
Como também a construção de quatro elefantes brancos assumidos.
Em Manaus, Cuiabá, Brasília e Natal.
"Nós queríamos apenas oito estádios. O governo brasileiro exigiu 12. Por uma questão de ajuste político", se isenta o presidente da Fifa, Joseph Blatter.
Ou seja quatro estádios construídos a mais.
Desnecessários, exagerados pela fragilidade do futebol local.
Se o governo queria ajudar a desenvolver o esporte, fizesse de outra maneira.
Financiando estádio menores, não arena suntuosas.
Dos 12 estádios, apenas dois ficaram prontos no prazo combinado.
O Maracanã e o Castelão.
Os dez demais atrasaram.
Mesmo com turnos de 24 horas.
Com trabalhadores de manhã, tarde e noite nas obras.
Em um ritmo frenético para compensar o atraso.
Infelizmente oito operários morreram nas arenas da Copa.
A maior parte dos 18 mil jornalistas credenciados critica.
Não aceita a maneira com que o Brasil fez a Copa.
Ficar com os holofotes voltados para o país teve consequências.
O mundo descobriu mazelas que não imaginava.
Os graves problemas na Saúde, Educação, Segurança.
A guerra até agora perdida para o Narcotráfico.
Problemas típicos de um país de Terceiro Mundo.
A revolta da população nas ruas chocou.
A violência estúpida dos black blocs.
Principalmente na Copa das Confederações.
O trabalho de inteligência do Exército e das polícias funcionou.
E conseguiu travar o poder de mobilização dos manifestantes.
De forma discreta ontem vários mandatos de busca e apreensão aconteceram.
Organizadores de protestos, principalmente pela Internet, foram para delegacias.
Principalmente no Rio de Janeiro.
Isso ontem, véspera da abertura da Copa.
São previstos alguns protestos, mas sem 10% da força do ano passado.
Se fora do gramado há muita decepção, dentro dele, não.
Os maiores jogadores do planeta estão por aqui.
Cristiano Ronaldo, Messi, Robben, Ozil, Cavani, Iniesta...
Suárez, Rooney, Balotelli, Schweinsteiger, Chicharito.
Di Maria, Diego Costa, Pirlo, Eto'o.
Fora Neymar, Thiago Silva, David Luiz, Hulk, Marcelo.
Estes são só alguns que disputarão o Mundial.
Ribery, Falcão Garcia, Thiago Alcântara, Giuseppe Rossi...
Van der Vaart, Mario Gomes, Ilicevic...
Mais de 60 jogadores importantes para seus países se contundiram.
E lamentam estar fora da Copa do Mundo.
Como Ibrahimovic que não conseguiu classificar a Suécia.
"O nível técnico da Copa no Brasil será altíssimo. Melhor que o Mundial da África. Será a competição mais difícil e interessante em muitos anos. Não há como não ficar empolgado em disputá-la."
As frases são de Vicente Del Bosque, técnico campeão com a Espanha.
Por isso 200 países pagarão pela transmissão dos jogos.
Com seus patrocinadores habituais, a Fifa já garantiu.
Lucrará mais de R$ 4 bilhões.
O governo brasileiro isentou esse dinheiro de qualquer imposto.
Só a arrecadação dos jogos deverá bater no R$ 1 bilhão.
Os números do evento são fantásticos para qualquer país.
Nunca o Brasil teve nada parecido.
A alegria do futebol já contagia.
Dentro do campo a Copa do Mundo já é um sucesso.
A organização falhou e voltará a falhar até o fim da competição.
Por puro desleixo dos governos federal, estaduais e municipais.
Se tudo tivesse começado de verdade em 2007, os vexames seriam evitados.
Haveria um legado verdadeiro para a população.
Mais de R$ 10 bilhões foram economizados.
Da pior maneira possível.
Desistindo de obras de infraestrutura para o país.
Como por exemplo o trem-bala entre Rio e São Paulo.
Obra que a então ministra Dilma jurou que seria feita para o Mundial.
Mas ao contrário do que muitos pregaram...
Vai ter Copa.
Ela começa hoje.
Será sensacional dentro dos gramados.
Só que poderia ser espetacular também para a população.
Para o país.





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