Mais de três anos depois da tragédia, cenário do bairro de Campo Grande ainda é de destruição
A cidade de Teresópolis, localizada na região serrana do Rio de Janeiro, vive dois climas bem distintos. Enquanto a região central está toda enfeitada e em festa por conta da Seleção Brasileira, o bairro de Campo Grande vive um cenário revoltante. Devastada pelas fortes chuvas em janeiro de 2011, o local segue cheio de marcas da tragédia. Casas destruídas, pedras e um amontoado de entulho ainda são encontrados por toda parte.
A enxurrada que aconteceu há pouco mais de três anos causou enchentes, deslizamentos e desabamentos em toda a região serrana do Rio de Janeiro. Só em Teresópolis, foram quase 400 mortes, além de centenas de desaparecidos. Pessoas que perderam casas e parentes não se mostram entusiasmadas com a Copa do Mundo.
“Esse clima de festa fica só pra região central e da Granja Comary mesmo. Perdi meus dois filhos e minha esposa, então não tenho o que comemorar. Entendo a festa e vou torcer pela Seleção, mas para mim e para a maioria das pessoas aqui de Campo Grande não tem clima de Copa, Ao contrário das últimas vezes, quase não tem enfeites na cidade. Todos seguem muito tristes e abalados”, declarou o pedreiro José Fábio dos Prazeres, de 49 anos.

Emocionado e com dificuldades de falar sobre o tema em alguns momentos, José Fábio relata tudo o que viveu na fatídica noite de 12 de janeiro, quando sua casa foi destruída e seus parentes acabaram falecendo.
“Estava jantando com minha família e mais dois casais de amigos que estavam em casa, quando a água entrou com tudo. Tentei agarrar meu filho que estava do meu lado, mas a força da enxurrada era muito grande. É difícil falar... Depois, fui arrastado e fiquei soterrado por algumas horas. Foi quando tive a notícia de que tinha perdido meus dois filhos queridos e a minha amada esposa”, relata.
O carpinteiro Pedro Augusto de Jesus, de 38 anos, conta que várias pessoas passaram a ter medo da chuva e relata as dificuldades para retomar a vida.
“Conheço várias pessoas que não podem escutar um trovão que já ficam morrendo de medo. Quando começa a chover, cada um relembra o que passou”, afirma Pedro, que perdeu seis familiares na tragédia.
“Perdi meu irmão e meus sobrinhos, minha casa ficou destruída. Assim como grande parte das pessoas, resolvi ir morar em outro bairro, porque acho que não conseguiria permanecer aqui. Só venho visitar alguns parente e amigos. Está sendo difícil reconstruir minha vida, porque o governo pouco fez desde aquela época. Se não fosse a ajuda das pessoas, não sei como conseguiríamos sobreviver”, finalizou.