
Wallim Vasconcelos, vice de futebol do Flamengo
A saída conturbada desgastou a imagem da diretoria, pautada pelo profissionalismo. Internamente, houve uma caça às bruxas para descobrir o autor do vazamento da notícia. Vice de futebol do Flamengo, Wallim Vasconcellos, no entanto, garante que o clube sacramentou a decisão apenas ao tomar conhecimento da demissão de Ney Franco no Vitória. A notícia da saída do técnico, porém, vazou dada antes de Ney acertar a saída do Rubro-Negro baiano. Jayme, criado no Flamengo, reclamou. Wallim ouviu. E pediu desculpas.
"Conversei com ele e tentei pedir desculpas. Ele disse que não aceitava. Se eu soubesse que ele não iria à reunião na Gávea, teria falado por telefone. Não queria cometer uma indelicadeza", disse Wallim Vasconcellos.
Em um bate-papo com a reportagem do ESPN.com.br, o dirigente confirmou o contato com Ney Franco, que deve ser anunciado nesta terça, explicou como se desenhou a demissão de Jayme e revelou que Tite, ex-Corinthians, era um dos nomes em pauta do clube. Confira a íntegra abaixo.
Qual o motivo da demissão de Jayme de Almeida?
A gente estava vendo que o time não estava evoluindo. Vimos que tínhamos de fazer algo. Não podíamos esperar a parada da Copa. É aquela famosa frase: quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Vamos tomar uma atitude. Mas quem? Não tinha quem colocar. Os treinadores disponíveis não eram do perfil do Flamengo. Hoje (segunda) de manhã o Ney (Franco) pediu demissão. O Palmeiras estava de olho nele. Quando vimos que o Ney pediu demissão, falamos: 'Temos de fazer isso agora, senão o Palmeiras o pegaria'. Vamos agir.
E por que a decisão de dispensar Jayme causou toda essa confusão?
Liguei para o (Paulo) Pelaipe 13h. Ele perguntou se eu queria falar pelo telefone como o Jayme. Falar com o Jayme pelo telefone seria uma descortesia. Falei com o que conversaria com ele e Jayme 18h30, na Gávea. Mas o Pelaipe não me avisou que o Jayme não iria. Quando ele chegou sozinho, perguntei pelo Jayme. Se o Pelaipe tivesse me avisado, eu teria pego o telefone antes e ligado. Quando ele não apareceu na reunião, resolvi ligar.
Qual foi o tom da conversa com ele?

Jayme de Almeida disse se sentir desrespeitado pelo Fla
Ele reclamou que tinha sido demitido pela imprensa. Eu disse que esperava falar olho no olho, cara a cara, como a gente sempre falou. Essa que foi o grande problema.Talvez se eu tivesse demitido por telefone eu estaria sendo acusado de ser mal-educado.
Mas ainda assim, não teria sido mais elegante e respeitoso ligar para o Jayme antes?
Não tinha nada definido. Aquilo foi uma especulação. Há duas semanas recebo torpedos a cada jogo ruim do Flamengo sobre a permanência dele. Desde semana passada estão especulando sobre o Ney.
Mas o Jayme, às 13h52, concedeu entrevista ao ESPN.com.br reclamando de como fora tratado. Você não soube?
Ele falou isso tudo para mim. Se eu tivesse demitido por telefone, qual seria a reação? Eu não sabia que ele não ia à reunião. Como disse: se eu soubesse que ele não iria para a Gávea eu teria falado pelo telefone.
De alguma maneira você se arrepende da forma como o processo foi desenrolado?
Eu conversei com ele, tentei pedir desculpas, ele disse que não aceitava. Pedi de novo. Não pude fazer nada. Acho uma indelicadeza demitir alguém pelo telefone. O único que falei foi o Cantarelle. Falei pelo telefone. Foi muito gentil.
Foi oferecido a ele outro cargo no clube?
Dada a reação dele não quis fazer convite nenhum. Ele estava com muita raiva. Se eu falasse alguma coisa poderia piorar. As portas do Flamengo estão abertas para ele. Se a raiva passar ou a gente não estiver mais lá um dia e ele quiser voltar, sem problemas. Trata-se de uma excelente pessoa, excelente profissional. A gente chegou a pensar alguma coisa na base, mas vimos que ele não aceitaria.
Além do Jayme, do Pelaipe e do Cantarelle, o Joelton Urtiga, preparador físico, também deixa o clube?
O Joelton já estava previsto sair no início de junho porque ele vai trabalhar com o Jorginho em Dubai.
O Ney Franco chega ao clube com auxiliar e preparador físico?
A gente está conversando e ele quer trazer o auxiliar e um preparador, sim. Estamos conversando para um acerto até o fim de 2015, quando termina o nosso mandato.
Ney Franco é o novo treinador do Flamengo?
A gente vai ter uma dicussão maior amanhã (terça). Espero que tudo se defina e na quarta-feira ele já comande o treino. Era um dos nomes que a gente gostaria, mas nenhum deles estava disponível. Então ele saiu do Vitória.
Há uma informação de que o clube tentou o Tite. Procede?
A gente pensou no Tite, mas a informação que a gente teve, não através dele diretamente, era de que ele não queria trabalhar até a Copa do Mundo. Depois da Copa já começa logo o Brasileiro, sem tempo. Mas é um outro nome que nos agradaria.
Pelaipe terá um substituto? Falou-se em Marcos Braz, Ximenes, Kleber Leite...

Paulo Pelaipe: pouco mais de 17 meses de clube
A gente vai procurar com calma. Vamos ver quem a gente acha mais adequado para o Flamengo. Tentar buscar esse profissional. Mas não é assim tão urgente, que eu precise para domingo. Vamos aguardar, talvez, até a paralisação da Copa do Mundo. Não há nenhum nome neste momento. Vai haver especulação e indicação. Mas não há nada.
Qual o motivo da demissão do Pelaipe?
Pelaipe cumpriu um ciclo no Flamengo, foi importante. Do jeito que a gente encontrou o departamento de futebol, ele teve um papel importante na organização. Fez contratações como Elias, Paulinho, Wallace. São jogadores que não tiveram nenhuma contestação no elenco do Flamengo. Vamos precisar fazer uma mudança geral. A gente só tem a agradecer a ele.
Sobre a divisão de opiniões na diretoria, muito se diz que o Bap (Luiz Alberto Baptista, vice de marketing) é quem toma as decisões. Como as ações são definidas atualmente?
Não existe. As pessoas especulam. Há muito tempo discutimos eu, Bap, (Rodrigo) Tostes, presidente (Bandeira de Mello) e (Rodolfo) Landim. Nosso grupo gestor do futebol é Bap, Tostes, Landim e presidente. Nós é que decidimos. Pode haver a discordância, mas a maioria sempre vence. Não tem isso de um manda. Todos têm a mesma voz. Todos se ajudam. Até porque todos trabalham. Quando um não pode, vai o outro.
Na nota oficial que informa as demissões de Jayme e Pelaipe, um trecho chamou atenção:"..chegou a hora da implantação de uma nova etapa, já prevista anteriormente no plano de trabalho..". Parece que as demissões estavam sacramentadas há tempos...
A gente acha que tem de ter uma nova fase, um novo tipo de filosofia, metodologia de trabalho, em todas as áreas dentro do departamento de futebol. Vamos começar a rever. A primeira fase foi de organização e identificação desse departamento, que foi bem feita pelo Pelaipe. Agora é uma fase de qualificação das pessoas, ver se os profissionais estão adequados nas funções. A gente tem de estar em constante evolução. Não podemos achar que atingimos a perfeição porque isso causa retrocesso. Você tem sempre de tentar novas metodologias. A gente acha que é essa nova fase agora, com profissionais. Esperamos que o Ney feche e o novo diretor venha depois.
Essa reformulação atinge, também, a base? Há profissionais indicados pelo Pelaipe, por exemplo.
A base foi reformulada no ano passado. Não é um trabalho que você muda as pessoas e pronto. É de médio prazo. Estamos dando condições para base. Dando melhores condições para os meninos, em questões como aparelhagem de musculação. Toda necessidade para poder evoluir com atletas. E o próprio trabalho de inteligência coordenado pelo Rafael Vieira para que o Flamengo possa, de comum acordo com outros clubes, trazer meninos. Mais de sub-17, sub-20. Trazer para que a gente possa, enfim, acelerar os resultados da equipe. Mas os profissionais atuais da base continuam.
Na última semana, a equipe sub-20 acabou derrotada por 7 a 0 pelo Fluminense e a repercussão foi muito negativa. Houve consequência?
Aquilo não foi derrota, foi humilhação. Foi conversado, pedi explicação. Queria saber o que estava acontecendo. Mudamos recentemente de treinador e supervisor da base. A explicação dada é que foi um dia ruim, jogamos muito mal. Tem algumas carências que vamos procurar suprir. O trabalho tem de continuar. Estamos acompanhando de perto. Isso tudo está sendo feito, já foi feito uma parte.
Voltando aos profissionais: além de novo técnico, o time vai ter reforços?
Vamos ter reuniões com o novo treinador, fazer uma nova avaliação, ver as posições carentes. A gente tem poucas possibilidades no mercado interno. Quem tem jogador não quer largar. Vamos avaliar. Lá fora tem muita gente querendo jogar no Flamengo. Vamos procurar os reforços para o segundo semestre, aproveitar a parada para a Copa do Mundo.
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