quarta-feira, 16 de abril de 2014

“O Brasil já perdeu a Copa no turismo”, diz gerente de rede hoteleira

"Não aproveitou"

Executivo francês com décadas de experiência no setor em solo brasileiro critica política brasileira para mostrar imagem do país
Executivo que comanda a tradicional rede hoteleira Accor no continente americano, o francês Roland Bonadona criticou o trabalho do governo brasileiro no setor de turismo. Morando há mais de duas décadas no país, ele fez um diagnóstico da “oportunidade perdida” para a Copa do Mundo.

“São oportunidades únicas, e o potencial de ambos os eventos (Copa e Olímpiada 2016) é enorme. A Copa do Mundo é a maior vitrine para o turismo que se pode imaginar. Quase nada foi feito para promover o turismo. O governo preferiu acreditar que o Brasil se venderia sozinho. Não é o suficiente. O país tem recursos naturais, cultura e talvez o maior número de locais tombados pela Unesco. Mas estamos a 10 horas de voo das principais fontes de turistas do mundo, que são a América do Norte, a Europa e a Ásia. Há muitos países disputando a atenção dos turistas”, analisou o empresário para a revista Exame.
Mesmo os ganhos que aconteceram na preparação do torneio, Roland acredita que o país perdeu a chance de fazer mais.

“Foram construídos hotéis que vão modernizar o parque hoteleiro brasileiro. Os aeroportos melhoraram, ainda que estejam longe do ideal. Isso aumenta a qualidade da recepção aos turistas antes e depois dos jogos. Não podemos dizer que perdemos tudo, que gastamos uma fortuna e não seremos recompensados. Seremos, mas poderíamos ser muito mais.

E criticou o governo na condução de um dos pontos fortes do Brasil.

“A estratégia foi mal definida. Quem cuida da promoção do Brasil no exterior são a Embratur e o Ministério do Turismo. São dois órgãos que deveriam ter especialistas em promoção do turismo, mas não têm. O governo estava mais preocupado em controlar o preço de hotéis e de passagens aéreas. O Ministério do Turismo não é valorizado. A pasta é considerada irrelevante pelos políticos. Isso mostra que nem o governo enxerga o setor como importante."

E aponta o que ainda poderia ser feito para tentar “salvar” o momento.

Faltam cerca de 60 dias para a Copa. É muito pouco para fazer algo de grandes proporções. Agora o que resta é focar ações de marketing digital em redes sociais, como ­YouTube e Facebook. Não é algo que exige um investimento alto. O objetivo deveria ser ampliar a permanência dos turistas que vão a uma cidade-sede para assistir a um jogo. Estimulá-los a chegar antes e a voltar depois.”

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